Sou fã: Thiago de Melo e Rui Machado

foto cedida por Rui Machado via facebook
Quadro de Rui Machado (imagem cedida via Facebook)
Thiago de Melo e Rui Machado são artistas de obras distintas, mas que se aproximam pela rica presença de sentidos e significados  sonoros e/ou visuais em suas obras. Na arte de um as palavras gritam ou silenciam aquilo que muito peculiarmente toca a cada um de nós em versos livres de poemas ricos. Na obra de outro gritam em cores e traços os sentidos que, como é característico da arte, também vão alcançar muito peculiarmente nossas experências de vida e nos mover a ponto de querer ter a obra em casa. Um poema, assim como um quadro, quando nos conquistam é porque já nos tocaram a alma. Minhas reverências a esses dois grandes artistas amazonenses. Ambos estiveram presentes ontem na Galeria de Artes do ICBEU na abertura da Exposição de Jair Jackmont.

Silêncio e palavra
por Thiago de Melo

 I
A couraça das palavras

protege o nosso silêncio

e esconde aquilo que somos

Que importa falarmos tanto?

Apenas repetiremos.

Ademais, nem são palavras.

Sons vazios de mensagem,

são como a fria mortalha

do cotidiano morto.

Como pássaros cansados,

que não encontraram pouso

certamente tombarão.

Muitos verões se sucedem:

o tempo madura os frutos,

branqueia nossos cabelos.

Mas o homem noturno espera

a aurora da nossa boca.

 II

Se mãos estranhas romperem

a veste que nos esconde,

acharão uma verdade

em forma não revelável.

(E os homens têm olhos sujos,

não podem ver através.)

Mas um dia chegará

em que a oferenda dos deuses,

dada em forma de silêncio,

em palavra transfaremos.

E se porventura a dermos

ao mundo, tal como a flor

que se oferta - humilde e pura - ,

teremos então cumprido

a missão que é dada ao poeta.

E como são onda e mar,

seremos palavra e homem.

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